O que espero de nós

[para além do amor romântico,
pela persistência da amorosidade cotidiana]

Percepção profunda de tudo
no fundo dos olhos, além das
palavras, nos nossos silêncios,
num infinito luminoso que só
eu vejo…
Sinto profundamente tudo o que
sentes e me perco no meio de tantos
sentimentos, porque amo um amor
maior do que este que dimensionamos
em Terra.
Amo o amor do mundo, amo o amor de
outros mundos…
Perco-me entre percepções e sentimentos
e transbordo em manifestações de afeto
mau compreendidas, mas muito necessárias,
porque, talvez, tu sejas a pessoa que mais precises do
amor que escreves e não recebes gratuitamente.
Esperam de ti o que tu não podes dar, querem a troca,
a contrapartida, o retorno, a posse, o compromisso,
o beijo, o gozo, o encontro, o café, o carinho…
Digo-te, porém, que te enganas comigo, pois só
o que espero de ti é a tua persistência voluntária
nesse Amor puro, que já está em nós, mesmo que
de forma embrionária.
O que espero de ti é que a amorosidade não apareça
só no fim, mas no meio do caminho ou no caminho
do meio…
O que espero de ti, não é impossível, porque
só espero que esse amor transborde pelos
teus olhos e pelos teus poros e que isso seja visível
no teu trato humano, na tua sensibilidade ao dizer
um não de modo afável ou na tua demonstração legítima de afeto
com o sentimento que o outro mostra para ti (voluntariamente)…
O que espero de ti é que sejas exatamente aquilo que escreves,
que não abandones aquilo que tu mesmo cativaste, que
demonstre o que sentes, sem couraças.
Das minhas percepções e sentimentos, ao fim de tudo,
resta pouco, somente a esperança de que, um dia,
não precisemos mais de defesas para Amar,
nem de armaduras para nos abraçar, e que
possamos, finalmente, acreditar que todo o
amor é só doação.

G.

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já foi escrito antes…

Eu escrevo algumas linhas e
depois penso que tudo o que escrevi
já foi escrito antes em outras linhas
por outras mulheres, talvez por
alguns homens,
vivos como numa fotografia em preto e branco,
mesmo assim, continuo escrevendo por entrelinhas
que ligam meus sentimentos aos teus pensamentos
e interpretam uma história que nem é minha, nem tua,
mas é nossa sem ser, só é, está ali escrita para nós
e envolve o meu coração e o teu
e quando vemos estamos juntos
numa leitura de linhas já costuradas,
porque quando eu sinto um déja-vu na ponta da caneta,
que mais parece uma agulha furando o papel,
é como se Deus me desse um sinal de amor
e me dissesse que é preciso reescrever até
mesmo o que já foi escrito,
porque meus olhares podem
ser diferentes dos teus
e as minhas ideias podem
te encontrar e te abraçar
ou te convidar para tomar um café,
um dia, em algum lugar,
ainda nesta existência,
por isso escrevo e deixo tu pensar…

G.

Brandy Barcelona

[Noite de sexta-feira, luz quente e baixa, ambiente acolhedor, com paredes de tijolo aparente, e o meu inconsciente me levando para a repetição]

 

Eu, abstêmia, no meio daquela cachaçaria na João Alfredo,
Tive a nítida percepção de que estava embriagada, sem estar,
só de te escutar falando español etílico em meus ouvidos
sóbrios e mis ojos negros todos tuyos…
Matita Perê, meio bossa nova meio cana envelhecida,
o Poetinha cantando no fundo, baixinho, e tu
me contando teus pecados atuais de Barcelona,
falando catalão aqui em Porto Alegre, construindo ali
naquele instante os teus segredos mais públicos
traduzidos na tua fala atenta e imperativa dizendo, em tom de
convite – Beba!
Não bebi, nem da cana, nem tus besos, quiçá tuas desculpas.
Em qual rua da Cidade Baixa nos desencontramos, eu já
não me lembro, só sei que do lado daquele estacionamento tu
quase te perdeu do teu compromisso, não fosse a luz da tua consciência,
estaríamos intrusos em nós…
Minha sobriedade estava mais alcoolizada que tua embriaguez, coisas
que acontecem na vida de quem quase não tem acontecimentos.
Comprometidos, sem compromisso…
O mais estranho foi te ver lá naquela Casa de Teatro, com
mãos entrelaçadas de seriedade…
Mãos que quase me deixaram sem graça e quase fizeram
a desgraça do teu desamor.
Por sorte de nosso desencontro, percebemos
que o quase é o divisor de águas entre a falha e o acerto.
A escolha coube só a ti, em tua consciência.
Sempre quando nos vemos, nossos olhos denunciam que
somos guardiões de um segredo quase etílico, que ficou
abstêmio por amor.
Talvez tudo isso tenha acontecido de verdade
ou não.
Quem saberá?
 

G.

MUDA

Eu mudei em mim porque percebi
que minhas sementes não floresciam em ti,
Então, por que tanto investimento, tanta rega, tanto afeto
se tuas terras são inférteis?

Não produzirei meu sofrimento,
porque em mim só há espaço para sentimentos.

Prefiro mudar em mim
Ver crescer e florir no meu jardim.
Vou ficar enfeitada de vida.
Florescida…
O jardim é só meu!

Sinto muito por tua infertilidade.
Tua terra é árida, mesmo molhada não brota.
Continuará abandonada, vazia de flor.
Não queres sair da dor.
Não te abres ao amor.

G.

TAG Conhecendo Cada Blogueiro(a)

TAG Conhecendo Cada Blogueiro(a)

 

Ge
[Eu, o incenso de patchouli e um mar de ideias]
Bom, hoje a publicação é uma TAG (como blogueira novata, confesso que este é um universo completamente desconhecido para mim). Fui indicada pelo Blog Café Amor e Poesia para responder algumas perguntas com o intuito de conhecer um pouco mais da minha escrita.
Então, agradecida, passo a responder as perguntas.

1-Qual foi a sua primeira opção de plataforma quando pensou em criar um Blog? O que lhe chamou mais atenção?

Minha primeira opção foi o WordPress porque gostei visualmente da plataforma, gosto do minimalismo que ele oferece e da possibilidade de acesso a conteúdos diferenciados.

2-Você está satisfeito(a) com o WordPress? Por quê?

Sim, estou. É uma plataforma bastante fácil de interação e tenho acessado muitos textos interessantes e recebido visitas muito afetivas, que alimentam minha alma.

3-Por que quis criar um blog? Sempre teve essa vontade?

Olha, na verdade, nunca tive a intenção de ser blogueira. Eu sempre escrevi para mim e não mostrava meus textos para ninguém. Este ano, porém,  senti a necessidade de compartilhar minhas humildes escritas com mais pessoas. São sentimentalidades que vejo, sinto ou observo em nós e na vida, que acontece nas sutilezas.

4-O que você mais gosta em seu Blog?

Eu gosto muito da possibilidade de publicação e propagação de ideias e das trocas literárias e afetivas que ocorrem por aqui. Agrada-me muito ver comentários sobre como a minha escrita foi compreendida pelos amigos leitores ou sentida, porque, embora os sentimentos sejam iguais (amor, angústia, raiva, ódio, etc.), não são sentidos da mesma forma por todos – cada um sente de um jeito, de acordo com a sua realidade e ressignifica o texto de acordo com seu próprio mundo íntimo. Então, isso me agrada muito. Fico feliz quando comentam e até mesmo com as críticas, porque posso melhorar em todos os sentidos, semânticos ou não.

5-Consegue postar com frequência?

Ultimamente sim, tenho tido insights criativos frequentes.

6-Quais tipos de conteúdos gosta mais de abordar?

Eu escrevo sobre sentimentos, sobre o mundo virtual e como levamos essa interação em nossas vidas, eu chamo de “Sentimentalidades Virtuais” ou quase virtuais, porque o contato é virtual, mas o sentimento não. Publico textos, poesias desconstruídas, sem verso nem rima e me divirto bastante.

7-Você interage muito com outros blogueiros? O que acha bacana quando lê posts de outros blogs?

Na medida do possível, sim, interajo. Eu sou novata no mundo dos blogs, mas tenho feito amizades interessantes e acessado conteúdos belíssimos de escritas profundas e sensíveis. Já virei fã de alguns, inclusive.

8-Como é a elaboração de suas postagens? Segue algum tipo de “ritual”?

A elaboração de minhas postagens é completamente intuitiva, assim como o meu
processo criativo. À vezes fecho os olhos e me vem uma frase, saio correndo para anotar e depois vou trabalhando as ideias. Eu gosto muito de incenso, então, quando eu consigo parar para organizar o que escreverei, acendo um incenso de Patchouli e gosto de escutar músicas que me deixem à flor da pele.

9-Que tipo de música gosta de escutar?

Então, eu escuto muitos fados e bulerías e músicas que não são tão populares.
Gosto muito de Mariza, Chico Buarque, Los Hermanos, Castello Branco (meu queridinho mais atual), Madredeus, Debussy e outros como Pink Floyd, Beatles. Escuto mantras também.
Gosto muito de música, principalmente se me arrepia.

10-Qual o seu gênero favorito de filme? Indique aí também!

Gosto de filmes “new age”, comédias românticas e documentários.
Bem, eu me apaixonei por I Origins, em português O universo no Olhar.

 

Bem pessoal, eu poderia indicar vários Blogs aqui, mas não acho justo escolher só 10, pois são muitos e muito bons, então vou modificar a TAG e deixar espontaneamente quem queira responder as perguntas acima e falar um pouco sobre sua escrita, seus sentimentos e preferências, pode ser?

Abraços fraternos e minha gratidão profunda com todos que passam por aqui para ler as minhas sentimentalidades virtuais e outras escritas.

Namaskar!

Conteúdo calórico

Os teus olhos são frios e tuas palavras são tão quentes

que fico a me perguntar como pode haver tanta

contradição entre a distância da tua humanidade, visível,

para aquilo que discorres, com afeto, em teorias.

Serias tu um mágico, que tira o coelho da cartola

no momento exato em que esperamos exatamente o nada?

Quando te vejo escondendo os dados, fico com vontade de

jogá-los para cima só para ver se vão cair em dupla sincronicidade,

com números pares capazes de degelar o teu olhar.

Depois, eu tenho vontade de pegar as tuas teorias e fazer um chá

bem doce com aroma de carinho e te levar para

tomares em doses homeopáticas, cada dia um pouquinho,

até que te aqueças por dentro com o teu próprio

conteúdo teórico, calórico…

Gostaria de te olhar e sentir calor.

G.

Escrita Uterina

[talvez doa em alguns, em mim, dói todos os dias,

mas toda a dor traz aprendizado]

Os homens não gostam de ler mulheres,

porque ler mulheres dói…

Se soubessem o quanto as subjetividades

femininas podem contribuir para suas

essências masculinas, leriam mulheres com afinco

e com um carinho e ternura, capazes de mudar gerações.

Os homens dizem que a escrita feminina é hostil

e muito pessoal.

Eu, ao contrário do que possam imaginar, não

discordo.

A escrita feminina é hostil, porque o mundo

é hostil com as mulheres.

A escrita feminina é pessoal, porque a

hostilidade do mundo dói no subjetivo e no

objetivo de cada palavra, omissão ou ação cotidiana, que,

normalmente, são caladas pelo feminino.

A voz, a escrita, a palavra, a razão sempre foi

muito masculina.

Escrita feminina é resistência, é sensibilidade, é

hostilidade porque é de verdade.

Ler mulheres é ler a vida em todo o seu potencial

de criação no futuro.

A escrita feminina é uterina e, para alguns homens,

voltar para o ventre dói, porque precisam

RENASCER.

G.